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Saudação de Natal do padre Tomaž Mavrič à Família Vicentina

O Padre Tomaž Mavrič, CM, Superior Geral da Congregação da Missão e sucessor de São Vicente de Paulo, felicita toda a Família Vicentina por estas importantes datas, quando celebramos o nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo e concluímos o 400º aniversário do carisma vicentino:

Transcrição:

Queridos irmãos e irmãs de toda a Família Vicentina:

Como os nossos corações não devem estar cheios de gratidão a Jesus por este ano de 2017, quando pudemos celebrar o nosso jubileu dos 400 anos do carisma vicentino! 400 anos de caridade e missão, para servir e evangelizar os mais pobres dos pobres e, especialmente, estranhos de todo o mundo. Esses verdadeiros estranhos foram os protagonistas do nosso Simpósio, em outubro passado, em Roma. Os estranhos cujo espírito e dificuldades compartilhamos e graças a quem hoje podemos ser imitadores de Cristo.

Até o Nosso Senhor era um estranho.

A grandeza do mistério da Encarnação, que celebramos a cada dezembro, manifesta-se na pobreza da criança nascida em Belém, em um berço humilde. Quantos estrangeiros e sem-teto esperam um coração que se mova para o amor afetivo e efetivo!

O ano do 400º aniversário está indo pouco a pouco para o fechamento, para começar o quinto centenário do carisma vicentino.

Não devemos ter medo de todos os desafios que vimos antes dos nossos olhos, sem nos encorajar a confiar na Providência, mais do que nunca, no nosso serviço aos nossos mestres e professores.

Como resposta aos desafios enfrentados pelos pobres, a Família Vicentina ao redor do mundo começa este ano a Aliança Global para os Sem-Teto. Vejamos os “Follevilles” e “Chatillons” do mundo de hoje e respondamos da melhor maneira possível ao grito dos pobres.

O título do Cartão de Advento deste ano é retirado do pensamento de São Vicente de Paulo sobre a Eucaristia, descrevendo-o como o dom do amor de Jesus que é inventivo para o infinito. Para isso, acrescentamos seu segundo pensamento: “na Eucaristia encontramos tudo”, todas as etapas da vida de Jesus.

Refletindo sobre a Eucaristia, o Santíssimo Sacramento, que cada um de nós mantenha vivo em nossos corações o convite para continuar orando, sendo atento, buscando, encorajando, convidando um novo candidato ou candidato para a vida consagrada ou um ramo leigo do Família Vicentina.

Nesta temporada de Natal, bem como ao longo de 2018, gostaria de convidar cada um de nós a perseverar e crescer em nossa vocação de serviço aos pobres, como São Vicente de Paulo, a mística da caridade, Ele ensinou com a vida dele.

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O ícone da caridade: com luz nos olhos • Um vídeo do Pe. Tomaz Mavrič, CM

Este é o terceiro vídeo da nova “série de 400 anos”, com a participação do padre Tomaž Mavrič CM e inspirada pelo padre Luigi Mezzadri.

O ícone da caridade: com luz nos olhos. O terceiro vídeo da série atual de reflexões apresenta o tríptico com o ícone de São Vicente de Paulo, escrito pela icónografa polonesa Mariola Bicho-Zajączkowska e inspirado pelo Pe. Luigi Mezzadri CM por ocasião do 400º aniversário do carisma vicenciano. Ambos nos dizem brevemente por que o ícone foi feito e qual é o significado da imagem.

Elaborar o ícone de São Vicente pareceu-me, inicialmente, uma tarefa impossível.  Eu realmente queria incluir em três traços a missão, o carisma e a santidade de São Vicente,  quem é Amor escrito com maiúscula, um amor tal que só pode ser dom de Deus… Senti-me motivada a buscar esse amor que brota de seu rosto, de seus olhos, de tal maneira que todos que se ponham a rezar | diante deste ícone, possam descobrir nele São Vicente e sintam-se cheios do mesmo amor. – Mariola Bicho-Zajączkowska

Esperávamos, no entanto, um homem glorioso, de frente ao Senhor, um homem impregnado de amor, que transmitisse uma alegria profunda, a força de uma existência que nos dissesse que valeria a pena, que valeria a pena se sacrificar, que valeria a pena pregar o sermão de Folleville, que valeria a pena fazer o caminho de Châtillon… Trata-se de um retrato que deve andar por todo o mundo, transmitindo uma grande energia, que dará o sentido de um carisma que ainda não nasceu de todo… – Luigi Mezzadri CM.

Transcrição do vídeo:

Luigi Mezzadri CM

Quando Vicente já havia chegado à idade madura, os responsáveis da Congregação da Missão se deram conta da necessidade de um retrato seu.  Encomendaram ao pintor Simon Francois que o fizesse, mas são Vicente era reticente, não queria ceder àquilo que simplesmente lhe parecia um capricho de vaidade.  Então resolveram que o pintor se fizesse presente, às escondidas, em várias ocasiões,  a fim de que conhecesse mais e terminasse de pintar o santo.

Mariola Bicho-Zajaczkowska – Iconógrafa

Elaborar o ícone de São Vicente pareceu-me, inicialmente, uma tarefa impossível.  Eu tinha pouco tempo,  e como expressar em poucos traços  a missão, o carisma e a santidade de São Vicente? De uma coisa sim estava segura: São Vicente é Amor, escrito com maiúscula, um amor tal que só pode ser dom de Deus. Trata-se de um amor que não terminou com a morte do Santo ou com sua canonização. Amor que deve permanecer, e que permanece, em suas obras. Senti-me motivada a buscar esse amor que brota de seu rosto, de seus olhos, de tal maneira que todos que se ponham a rezar diante deste ícone, possam descobrir nele São Vicente e sintam-se cheios do mesmo amor.

Luigi Mezzadri CM

Na tradição iconográfica vicentina encontramo-nos com um homem de aproximadamente 80 anos, idoso, calvo, um homem que viveu com muita intensidade e que está a ponto de encontrar-se com Deus. Não era isto o que se pedia, o que queríamos. Esperávamos, no entanto, um homem glorioso, de frente ao Senhor, um homem impregnado de amor, que transmitisse uma alegria profunda, a força de uma existência que nos dissesse que valeria a pena, que valeria a pena se sacrificar, que valeria a pena pregar o sermão de Folleville, que valeria a pena fazer o caminho de Châtillon, que valeria a pena consumir-se, sair, buscar a paz, que valeria a pena dedicar-se aos pobres, que valeria a pena…  Eis aqui o que parece-me impagável. Trata-se de um retrato que deve andar por todo o mundo,  transmitindo uma grande energia, aquela que dará a toda latitude o sentido de um carisma que ainda não nasceu de todo.

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Concurso e Festival de Cinema “Encontrando Vicente 400”

No dia 14 de outubro de 2017, durante a Audiência Papal, foi anunciado o concurso de artes e o festival cinematográfico intitulado “Encontrando Vicente 400”.

Mesmo antes de tornar conhecida a campanha publicitária, já recebemos 333 apresentações de todo o mundo! A ideia incendiou a imaginação de muita gente!

Queremos ter certeza de que toda a Família Vicentina, ao redor do mundo, tenha conhecimento da campanha e todos sintam-se convidados a participar.

Pedimos o favor de compartilharem o folder em anexo com os membros de seus grupos e todos os colaboradores com quem vivem seu apostolado: paróquias, escolas, institutos, universidades, grupos de jovens; e qualquer outra pessoa ou grupo que possa estar interessada em participar.

Esta será uma maravilhosa oportunidade para nós – e especialmente para nossa juventude – para levar adiante a globalização da Caridade.

Se tiver alguma pergunta, pedimos o favor de entrar em contato com a sede da Família Vicentina através do e-mail: vfo@famvin.org.

À medida que nos aproximamos da celebração do Advento e Natal, que a paz e a alegria deste período, plenifique seu coração e seu apostolado, para que cada vez mais possamos converter nossos sonhos comuns em realidade.

Seu irmão em São Vicente de Paulo,

Tomaž Mavrič, CM
Presidente do Comitê Executivo da Família Vicentina.

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Atacar as reais causas da miséria

Por ocasião da realização da assembleia geral vicentina em Paris, para a celebração dos 15 anos de fundação da Sociedade de São Vicente de Paulo, em 1848, o confrade Antônio Frederico Ozanam, a pedido do Presidente Geral àquela altura (Adolphe Baudon), preparou um discurso para ser lido em tal cerimônia, no qual ele começa a apresentar seu pensamento social. Baudon encontrava-se em recuperação após receber um tiro, durante a Revolução Burguesa de 1848, na França, vindo a amputar uma de suas pernas.

No discurso, Ozanam aborda muitos temas. Ele não se esquece de reconhecer o apoio do clero para o crescimento da ação vicentina. Da mesma maneira, Ozanam endereça um elogio aos assessores espirituais das Conferências, considerando-os fundamentais no dia a dia da SSVP. Noutra parte do texto, Ozanam fala sobre a importância das contribuições econômicas das Conferências aos Conselhos, comentando que “quanto mais as doações crescem, mais as atividades vicentinas se multiplicam”, permitindo que, assim, mais pobres passassem a ser assistidos.

Ele enfatiza que as necessidades dos mais carentes são muitas, e que as contribuições financeiras são importantes para a manutenção dos serviços vicentinos.  O desemprego, a fome, o frio e outras carências são elencadas no discurso pois, segundo ele, a caridade praticada nas Conferências vai aliviar esses sofrimentos das pessoas. “Nas Conferências, aprendemos a exercitar o bem, e não poderia existir a falsa presunção ou qualquer aparente inferioridade dos assistidos”, enfatiza Ozanam.

Ozanam procura, nos parágrafos do discurso, transmitir uma mensagem aos novatos que estavam recém-ingressando na SSVP. Ele se preocupava em dar conselhos e fazer recomendações, refletindo sobre o papel social empreendido pelos confrades. Ele instigava aqueles jovens aspirantes com perguntas do tipo: “como aliviar a miséria sem remover suas causas?” ou “como regenerar o mundo e erradicar o mal?”. São indagações intrigantes que provocam, ainda hoje, nossa reflexão mais crítica.

Nosso principal fundador faz uma bela análise dos primeiros 15 anos da Sociedade de São Vicente de Paulo, focando também na importância da esmola. Ozanam foi contundente ao dizer que a esmola é importante e consiste numa ação que deveria ser praticada por todos. “A esmola não é um direito de ninguém, mas um dever para todos”, acentuou. Para ele, a justiça social se soma à caridade, e as pessoas que têm muito deveriam ser mais generosas com as que pouco ou nada têm. Na verdade, Ozanam prega que nós, vicentinos, seremos sempre “devedores dos pobres”.

É neste discurso que Ozanam proclama uma das frases mais célebres dele: “É muito pouco aliviar as tristezas dos indigentes. Devemos pôr as mãos nas raízes do mal e, por meio de sábias reformas, diminuir as causas reais da miséria do povo”. Aqui, ele deixa bem claro que somente a caridade não resolveria os males sociais, mas que a justiça social deveria ser acionada para atacar as causas da miséria. Fica bem clara a defesa que Ozanam faz da justiça social, antecipando-se à Doutrina Social da Igreja.

Ao final do texto, Ozanam compara a SSVP de 1833 com a de 1848, e faz questão de dizer que a entidade é a mesma, com seu espírito primitivo mantido. Ele rechaçou as divisões, as contendas e as discórdias que pudessem atingir a entidade. Ozanam também reforçou a necessidade da visita semanal domiciliar e pediu orações pelo clero. São orientações que nós, vicentinos do século XXI, também devemos seguir.

Autor: Renato Lima, 16º Presidente Geral da SSVP