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Família Vicentina Internacional reúne sua força-tarefa de Formação

Nos dias 11 e 12 de março, pela segunda vez, reuniu-se, na Filadélfia (EUA), a equipe criada para pensar e planejar sobre a Formação como Família Vicentina. O trabalho foi iniciado no ano passado e gira em torno das perspectivas de Formação Vicentina, ou seja, definir quais são os elementos essenciais para dizermos que uma formação é vicentina. Também conversou-se sobre a criação de uma plataforma na Internet, onde se possa reproduzir, inicialmente em 6 línguas, o material de formação utilizado mundo afora. Assim, o objetivo desta equipe não é prioritariamente o de produzir material, mas sim, o de recolher material, avaliá-lo, ver em qual categoria vicentina se encaixa e reproduzi-lo.

Os participantes da força-tarefa são Joseph Agostino, Flávio Tercero, Marge Clifford, Patrick Murphy, Patricia Bombard, Monica Watson, Javier Chento, Charlie Plock, Mizael Poggioli, Jreige Ramzi e Joelson Sotem. A iniciativa é realizada em conjunto com o Escritório da Família Vicentina (VFO).

Fonte: famvin.org

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Fátima (Portugal) recebeu o Programa de Ação Colaborativa da Família Vicentina

No fim de semana de 19, 20 e 21 de janeiro, a Família Vicentina de Portugal reuniu-se em Fátima para a formação do Programa de Ação Colaborativa da Família Vicentina (PAC FAMVIN). O PAC FAMVIN é uma iniciativa internacional da Família Vicentina que pretende “suscitar e estimular os membros da Família Vicentina, pelo mundo, a ampliar a colaboração, a fim de ajudar as pessoas e comunidades a saírem da pobreza”.

Esta formação em Fátima foi a primeira formação dada por formadores portugueses que, em outubro de 2016, fizeram a formação com elementos da equipa internacional da Família Vicentina que estiveram em Portugal e, dessa forma, ficaram não só habilitados, mas também com o dever de transmitir os conhecimentos adquiridos a todos os membros da Família Vicentina de Portugal.

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A formação do PAC FAMVIN é composta por vários módulos, que têm como objetivo melhorar o serviço que realizamos junto das pessoas que vivem em alguma situação de pobreza e melhorar a eficiência com que se presta esse serviço, introduzindo a vertente da colaboração entre todos os Ramos da Família Vicentina. Os módulos, que são dados por vários formadores, são os seguintes: “O Vicentino como Visionário” (Módulo 1); “O Vicentino como Contemplador” (Módulo 2); “O Vicentino como Colaborador” (Módulo 3); “O Vicentino como Catalisador” (Módulo 4); “O Vicentino como Servidor” (Módulo 5).

Na formação em Fátima, que decorreu na Casa da Medalha Milagrosa, das Filhas da Caridade, estiveram presentes cerca de 40 membros de todos os Ramos da Família Vicentina de Portugal – Congregação da Missão (CM), Filhas da Caridade (FC), Juventude Mariana Vicentina (JMV), Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP), Associação da Medalha Milagrosa (AMM), Associação Internacional de Caridades (AIC) e Colaboradores da Missão Vicentina (CMV) –, bem como colaboradores da Associação de Beneficência Casas de São Vicente de Paulo.

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A formação teve início na sexta-feira à noite, com acolhimento dos participantes, a cargo da equipa de logística, composta pela Arlete Vieira (CMV) e pela Ir. Maria de Lurdes Morais (FC). Depois do jantar, seguiu-se a apresentação dos participantes, a descrição dos objetivos e das linhas gerais do PAC FAMVIN e das iniciativas internacionais de colaboração da Família Vicentina Internacional.

No sábado, iniciamos os trabalhos bem cedo, com a celebração da Eucaristia, presidida pelo Pe. Álvaro Cunha, CM. De seguida, partimos para o primeiro módulo de formação, a cargo da Fernanda Capitão, da SSVP, que nos falou sobre como o vicentino deve ser um visionário, partindo dos exemplos de São Vicente de Paulo e Santa Luísa Marillac e Frederico Ozanam e Rosália Rendu. De seguida, o Pe. Álvaro Cunha, CM, apresentou o segundo módulo, do vicentino como contemplador. Neste módulo, tivemos a oportunidade de recordar as cinco virtudes vicentinas e de trazê-las presentes para a nossa vida. Na parte da tarde, após o almoço, o António Clemente, da JMV, apresentou o terceiro módulo, partilhando com os formandos as várias estratégias para o planeamento de um projeto vicentino, com o intuito de unirmos esforços e melhorar a eficiência e a eficácia da nossa ação vicentina. Seguiu-se a Ir. Márcia Rocha, que despertou os presentes para a necessidade de o vicentino ser um catalisador, alguém que inspira outras pessoas e que os põe a trabalhar em conjunto. Assim terminou o período de formação no sábado, ao qual se seguiu o jantar. Após o jantar, os participantes da formação rumaram ao Santuário de Fátima, juntando-se aos muitos fiéis na Capelinha das Aparições para a recitação do Rosário, seguida da Procissão das Velas no recinto do Santuário. Rezando, unidos, junto de Nossa Senhora de Fátima… que bela forma de terminarmos o segundo dia de formação.

No domingo, iniciámos a formação com a apresentação do quinto e último módulo, a cargo da Dina da Palma, da AMM. Foi o tempo de os participantes colocarem as “mãos na massa” e criar um projeto de serviço vicentino, um projeto resultante da colaboração entre todos os Ramos. Após a apresentação das várias propostas pelos grupos de formandos, deu-se por encerrada a formação, com a entrega dos diplomas a todos os participantes e com a Eucaristia de ação de graças por estes dias em Fátima, que foram momentos de aprendizagem, de melhor conhecimento de todos os Ramos da Família Vicentina, de entreajuda e de verdadeira colaboração vicentina.

*Texto da Família Vicentina de Portugal

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Carta do padre Tomaž Mavrič, CM, para o encerramento do 400º aniversário do carisma vicentino

“Bendito e louvado seja Deus,
o Pai de Jesus Cristo, Senhor nosso,
que do alto céu nos abençoou em Jesus Cristo
com bênção espiritual de toda sorte!”

(Efésios, 1,3)

Roma, 25 de janeiro de 2018

A todos os membros da Família Vicentina

Meus queridos irmãos e irmãs em São Vicente,

A graça e a paz de Jesus estejam sempre conosco!

Ao finalizar oficialmente, neste 25 de janeiro de 2018, o 400º aniversário do carisma vicentino, podemos repetir as palavras de São Paulo, no início de sua carta aos Efésios, com o coração transbordando de alegria. O Céu nos abençoou com bênçãos em todos os âmbitos: em nível pessoal, em nível de cada ramo e no âmbito da Família Vicentina como um todo. Que esta experiência permaneça para nós fonte de aprofundamento, de desenvolvimento e de extensão do carisma vicentino, a fim de produzir sempre mais novos frutos.

Durante o ano jubilar, a Família Vicentina organizou tantas iniciativas, celebrações e projetos maravilhosos no plano local, nacional e internacional. No plano internacional de toda a Família Vicentina, organizamos:

a) O Simpósio Internacional da Família Vicentina em Roma, de 12 a 15 de outubro de 2017.

No dia seguinte do encerramento do Simpósio, a comissão de síntese se reuniu para estudar as contribuições dos participantes dos seis grupos linguísticos. As reflexões, propostas, ideias e projetos serão em breve comunicados a todos os membros da Família Vicentina, com o objetivo de continuar a desenvolver, compartilhar, irrigar e cultivar as sementes lançadas durante o Simpósio.

b) A iniciativa global da Família Vicentina com as pessoas sem-teto (Aliança FAMVIN com os sem-teto).

Este projeto de toda a Família Vicentina, lançado oficialmente durante o Simpósio em Roma, no dia 14 de outubro de 2017, nos permitirá aprofundar nossa colaboração para responder de maneira mais eficaz às necessidades das pessoas que não têm moradia.

c) O festival de filme vicentino, intitulado “Encontrando Vicente 400”, também foi oficialmente lançado durante o Simpósio em Roma, no dia 14 de outubro de 2017 e será realizado entre os dias 18 e 21 de outubro de 2018, em Castel Gandolfo.

Em breve, a equipe de preparação dará mais informações através dos diferentes meios de comunicação: sites, redes sociais, YouTube, impressa escrita, agências de notícias e outros. O festival de filme pretende ser um instrumento da “globalização da caridade”. Todas as pessoas, membros da Família Vicentina ou não, de todos os países, podem participar do festival. Teremos três concursos: 1) para os jovens até 18 anos, cuja participação é através do envio de um poema, de um desenho ou de um texto; 2) para as pessoas que enviarem o roteiro de um filme a ser produzido no futuro; 3) para aqueles que apresentarem um filme de curta-metragem. O tema comum é a vida e o carisma de São Vicente de Paulo.

d) A peregrinação da relíquia do coração de São Vicente de Paulo.

A peregrinação de outras relíquias continuará em toda a Europa e, se Deus quiser, depois em outros continentes.

No início do quinto século do carisma vicentino, gostaria de propor duas iniciativas como primeiros passos nesta direção:

a) Renovar e aprofundar nossa relação com os Santos, Bem-aventurados e Servos de Deus da Família Vicentina do mundo inteiro, como modelos da espiritualidade e do carisma vicentino, graças aos seguintes meios:

  1. Reanimar a veneração e a invocação da intercessão dos Santos, Bem-aventurados e Servos de Deus, primeiramente, em seus lugares de origem, lá onde nasceram viveram ou realizaram o seu serviço, onde morreram, foram enterrados ou onde suas relíquias são conservadas, através de diferentes iniciativas para aprofundar nossa relação com eles. Renovar uma proximidade com eles em nível local favorecerá e permitirá propagar sua veneração e uma maior invocação de sua intercessão em outras regiões do mundo.
  2. Organizar encontros para apresentá-los àqueles que não os conhecem ou conhecem pouco; organizar peregrinações; preparar celebrações para crianças, jovens e adultos; publicar novos livros; elaborar slides PowerPoint; utilizar os diferentes meios de comunicação.
  3. Rezar incessantemente a Jesus pedindo a graça para que todos os Bem-aventurados, Servos de Deus ou outros candidatos em potencial à santidade sejam canonizados pela Igreja. Comprometer-se com todas as forças no processo de reconhecimento oficial da Igreja, tanto dentro do ramo específico da Família Vicentina ao qual cada um pertencia, quanto na Família Vicentina como um todo.

Trata-se de unir, o máximo possível, a nossa vida, esforços, serviços, projetos, iniciativas, planos e ambições comuns àqueles que nos precederam e que estão agora no céu, intercedendo por nós. Se pedirmos suas intercessões junto a Deus, eles nos responderão. Eles são nossos modelos de como viver a espiritualidade e o carisma vicentino. Talvez seja mais fácil apresentar aos outros os Santos, os Bem-aventurados e os Servos de Deus da história recente. No entanto, como modelos de santidade, todos comunicam ou podem transmitir algo às crianças, aos jovens, aos adultos e a todos os nossos contemporâneos, neste momento da história. Eles também são um dos recursos para as novas vocações à vida consagrada ou para o compromisso ativo dos leigos nos diferentes ramos da Família Vicentina, na missão de Jesus, na missão da Igreja.

b) Renovar e aprofundar a “cultura vocacional”.

Quando buscamos uma explicação para o declínio das vocações à vida consagrada, para a participação ativa dos jovens e adultos na vida da Igreja e da fé em algumas regiões do mundo, frequentemente são destacadas as seguintes razões: a sociedade de consumo, o materialismo, o individualismo, o egoísmo, secularismo sistemático da sociedade… Podemos falar assim de uma “anticultura vocacional”.

Gostaria de convidar a todos a unir nossas forças para apresentar às crianças, aos jovens e adultos de hoje, que estão sob a influência desta “anticultura vocacional”, a beleza, o encanto e o sentido pleno de vida de dizer um “sim” ressoante ao chamado de Jesus! Convido cada um de nós a mostrar às crianças, aos jovens e adultos que é normal responder afirmativamente, com um “sim” vigoroso, ao chamado de Jesus; não se trata de uma resposta anormal. Devemos trabalhar juntos em vista de uma cultura vocacional renovada.

Nossa vocação remonta à fonte da nossa existência, pois Deus pensava em nós antes da fundação do mundo, antes da nossa concepção.

“Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei …”(Jeremias 1,5).
“Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo” (Efésios 1,4).
“Eu te farei luz das nações” (Isaías 49,6).

A cultura vocacional significa um ambiente onde todas as pessoas podem descobrir e redescobrir o motivo de estarem nesta terra, o sentido da vida, a missão a qual são chamadas a realizar, o chamado ao qual são convidadas a responder. A cultura vocacional coloca Jesus em primeiro lugar, independentemente do estado da vocação, seja ela laical ou para a vida consagrada.

Trazemos em nosso coração o desejo profundo de transmitir às gerações futuras o carisma e a espiritualidade que recebemos. Apresentamos incessantemente a Deus tanto a nossa oração para obter novas vocações, como muitos dos nosso esforços e iniciativas. O começo do quinto século do carisma vicentino nos oferece uma nova oportunidade para intensificar nossos esforços, em favor de uma cultura vocacional. Esta iniciativa está em sintonia com o Sínodo dos Bispos, cujo tema é: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, que acontecerá em outubro deste ano em Roma.

Confiemos tudo isto à Providência e à intercessão de Nossa Senhora das Graças, dos Santos, dos Bem-aventurados e dos Servos de Deus da Família Vicentina e encorajemo-nos mutualmente com as palavras de São Vicente de Paulo, quando lhe perguntaram sobre o que gostaria de ter feito de sua vida, ele respondeu: “ainda mais”.

Seu irmão em São Vicente,

Tomaž Mavrič, CM
Superior geral

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Saudação de Natal do padre Tomaž Mavrič à Família Vicentina

O Padre Tomaž Mavrič, CM, Superior Geral da Congregação da Missão e sucessor de São Vicente de Paulo, felicita toda a Família Vicentina por estas importantes datas, quando celebramos o nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo e concluímos o 400º aniversário do carisma vicentino:

Transcrição:

Queridos irmãos e irmãs de toda a Família Vicentina:

Como os nossos corações não devem estar cheios de gratidão a Jesus por este ano de 2017, quando pudemos celebrar o nosso jubileu dos 400 anos do carisma vicentino! 400 anos de caridade e missão, para servir e evangelizar os mais pobres dos pobres e, especialmente, estranhos de todo o mundo. Esses verdadeiros estranhos foram os protagonistas do nosso Simpósio, em outubro passado, em Roma. Os estranhos cujo espírito e dificuldades compartilhamos e graças a quem hoje podemos ser imitadores de Cristo.

Até o Nosso Senhor era um estranho.

A grandeza do mistério da Encarnação, que celebramos a cada dezembro, manifesta-se na pobreza da criança nascida em Belém, em um berço humilde. Quantos estrangeiros e sem-teto esperam um coração que se mova para o amor afetivo e efetivo!

O ano do 400º aniversário está indo pouco a pouco para o fechamento, para começar o quinto centenário do carisma vicentino.

Não devemos ter medo de todos os desafios que vimos antes dos nossos olhos, sem nos encorajar a confiar na Providência, mais do que nunca, no nosso serviço aos nossos mestres e professores.

Como resposta aos desafios enfrentados pelos pobres, a Família Vicentina ao redor do mundo começa este ano a Aliança Global para os Sem-Teto. Vejamos os “Follevilles” e “Chatillons” do mundo de hoje e respondamos da melhor maneira possível ao grito dos pobres.

O título do Cartão de Advento deste ano é retirado do pensamento de São Vicente de Paulo sobre a Eucaristia, descrevendo-o como o dom do amor de Jesus que é inventivo para o infinito. Para isso, acrescentamos seu segundo pensamento: “na Eucaristia encontramos tudo”, todas as etapas da vida de Jesus.

Refletindo sobre a Eucaristia, o Santíssimo Sacramento, que cada um de nós mantenha vivo em nossos corações o convite para continuar orando, sendo atento, buscando, encorajando, convidando um novo candidato ou candidato para a vida consagrada ou um ramo leigo do Família Vicentina.

Nesta temporada de Natal, bem como ao longo de 2018, gostaria de convidar cada um de nós a perseverar e crescer em nossa vocação de serviço aos pobres, como São Vicente de Paulo, a mística da caridade, Ele ensinou com a vida dele.

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O ícone da caridade: com luz nos olhos • Um vídeo do Pe. Tomaz Mavrič, CM

Este é o terceiro vídeo da nova “série de 400 anos”, com a participação do padre Tomaž Mavrič CM e inspirada pelo padre Luigi Mezzadri.

O ícone da caridade: com luz nos olhos. O terceiro vídeo da série atual de reflexões apresenta o tríptico com o ícone de São Vicente de Paulo, escrito pela icónografa polonesa Mariola Bicho-Zajączkowska e inspirado pelo Pe. Luigi Mezzadri CM por ocasião do 400º aniversário do carisma vicenciano. Ambos nos dizem brevemente por que o ícone foi feito e qual é o significado da imagem.

Elaborar o ícone de São Vicente pareceu-me, inicialmente, uma tarefa impossível.  Eu realmente queria incluir em três traços a missão, o carisma e a santidade de São Vicente,  quem é Amor escrito com maiúscula, um amor tal que só pode ser dom de Deus… Senti-me motivada a buscar esse amor que brota de seu rosto, de seus olhos, de tal maneira que todos que se ponham a rezar | diante deste ícone, possam descobrir nele São Vicente e sintam-se cheios do mesmo amor. – Mariola Bicho-Zajączkowska

Esperávamos, no entanto, um homem glorioso, de frente ao Senhor, um homem impregnado de amor, que transmitisse uma alegria profunda, a força de uma existência que nos dissesse que valeria a pena, que valeria a pena se sacrificar, que valeria a pena pregar o sermão de Folleville, que valeria a pena fazer o caminho de Châtillon… Trata-se de um retrato que deve andar por todo o mundo, transmitindo uma grande energia, que dará o sentido de um carisma que ainda não nasceu de todo… – Luigi Mezzadri CM.

Transcrição do vídeo:

Luigi Mezzadri CM

Quando Vicente já havia chegado à idade madura, os responsáveis da Congregação da Missão se deram conta da necessidade de um retrato seu.  Encomendaram ao pintor Simon Francois que o fizesse, mas são Vicente era reticente, não queria ceder àquilo que simplesmente lhe parecia um capricho de vaidade.  Então resolveram que o pintor se fizesse presente, às escondidas, em várias ocasiões,  a fim de que conhecesse mais e terminasse de pintar o santo.

Mariola Bicho-Zajaczkowska – Iconógrafa

Elaborar o ícone de São Vicente pareceu-me, inicialmente, uma tarefa impossível.  Eu tinha pouco tempo,  e como expressar em poucos traços  a missão, o carisma e a santidade de São Vicente? De uma coisa sim estava segura: São Vicente é Amor, escrito com maiúscula, um amor tal que só pode ser dom de Deus. Trata-se de um amor que não terminou com a morte do Santo ou com sua canonização. Amor que deve permanecer, e que permanece, em suas obras. Senti-me motivada a buscar esse amor que brota de seu rosto, de seus olhos, de tal maneira que todos que se ponham a rezar diante deste ícone, possam descobrir nele São Vicente e sintam-se cheios do mesmo amor.

Luigi Mezzadri CM

Na tradição iconográfica vicentina encontramo-nos com um homem de aproximadamente 80 anos, idoso, calvo, um homem que viveu com muita intensidade e que está a ponto de encontrar-se com Deus. Não era isto o que se pedia, o que queríamos. Esperávamos, no entanto, um homem glorioso, de frente ao Senhor, um homem impregnado de amor, que transmitisse uma alegria profunda, a força de uma existência que nos dissesse que valeria a pena, que valeria a pena se sacrificar, que valeria a pena pregar o sermão de Folleville, que valeria a pena fazer o caminho de Châtillon, que valeria a pena consumir-se, sair, buscar a paz, que valeria a pena dedicar-se aos pobres, que valeria a pena…  Eis aqui o que parece-me impagável. Trata-se de um retrato que deve andar por todo o mundo,  transmitindo uma grande energia, aquela que dará a toda latitude o sentido de um carisma que ainda não nasceu de todo.